CRONOLOGIA
-
 

ESCOLHA O SÉCULO
 

CHARLES MICHEL EPÉE – ABBÉ DE L’EPÉE

O padre Charles Michel Epée - Abbé de L’Epée (1712-1789) nasceu em Versalhes.

Viveu durante um período muito importante da história, cheio de grandes acontecimentos. Basta citar dois para se perceber a densidade política e econômica daquele momento: a Revolução Industrial na Inglaterra em 1750 e a Revolução Francesa de 1789. O aparecimento das primeiras fábricas propiciava o afluxo de numerosas pessoas às cidades, resultando daí sérios problemas de ajuntamentos de desempregados. A efervescência política frente a uma situação de desequilíbrio no exercício do poder político colocava a insensível nobreza em oposição a uma burguesia cada vez mais senhora da economia.

Este cenário era o berço natural para as manifestações públicas de insatisfação, para o surgimento de lideranças, para a formação de grupos que compartilhavam as mesmas privações e expectativas.

Epée, sensível aos problemas que se multiplicavam, é especialmente tocado pelas dificuldades dos jovens e, dentre estes, os surdos. É no convívio destes que “o abade L’Epée percebe que os gestos cumpriam as mesmas funções que as mesmas funções das línguas faladas e, portanto, permitiam uma comunicação efetiva entre eles. E assim, inicia-se o processo de reconhecimento da língua de sinais. Não apenas em discursos mas em práticas metodológicas oficiais desenvolvidas por ele na Primeira Escola Pública de Jovens e Adultos Surdos em Paris. Além disso, para o abade, os sons articulados não eram o essencial na educação dos surdos , mas sim, a possibilidade que tinham de aprender a ler e a escrever através da língua de sinais, pois essa era a forma natural que possuíam para expressar suas idéias.” (Ver: “Trajetórias e movimentos na educação dos surdos” de Paulo César Machado e Vilmar Silva. O texto completo do artigo encontra-se na página abaixo da internet, acessada em 28 de fevereiro de 2005 http://www.virtual.udesc.br/Midiateca/Publicacoes_Educacao_de_Surdos/artigo11.htm).

Otto Marques da Silva em “A epopéia ignorada - a pessoa deficiente na história do mundo de ontem e de hoje” (p. 256) escreve: “Em 1755 (Epée) reconhecia que a psicologia do surdo era diferente daquela da pessoa que ouvia. Fundou uma escola para educação dos surdos em Paris, aperfeiçoando a linguagem por sinais como meio para instrução e comunicação de seus alunos. Acreditava que era necessário fazer entrar pelos olhos dos surdos tudo o que o restante da sociedade absorvia por meio do som pela audição.”

Foi em 1770 que Epée fundou em Paris a primeira instituição específica para a educação dos surdos. Sua obra escrita mais importante foi publicada em 1776, com o título “A verdadeira Maneira de instruir os Surdos-Mudos”.

Enfim, a grande contribuição que Epée trouxe foi a de respeitar os surdos e o seu modo de comunicar-se. Ele tinha consciência de que ele possuía uma linguagem natural para se comunicar. Com isso, aprendendo a língua de sinais, ele procurou ensinar aos surdos sua própria língua, a francesa.

O padre francês, como grande educador, supera os métodos, freqüentes então, de provocar o constrangimento do aluno forçando-o à comunicação exclusiva pela fala.

Abbé de L’Epée ensinando
 

[voltar]